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Para pais, mães e professores

Brincadeiras para crianças de 2 a 10 anos, por idade

Ideias para fazer em casa com o que já existe na sala e na cozinha, e um cuidado para cada faixa.

Blocos de madeira de vários formatos empilhados sobre o chão
Foto: Ragesoss, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

Para brincar em casa não precisa de brinquedo novo: um lençol, uma caixa de papelão e um adulto com dez minutos já dão uma brincadeira. Esta lista reúne brincadeiras para fazer em casa, separadas em quatro faixas (2 e 3, 4 e 5, 6 e 7, 8 a 10 anos). Cada faixa traz o tempo que costuma render, o material que quase sempre existe em casa e um cuidado.

Como usar a lista

A idade é só um ponto de partida. Uma criança de 5 anos pode querer a brincadeira dos 8, e uma de 8 pode se divertir com a cabana de lençol. Troque de faixa sem cerimônia.

Os tempos são aproximados e servem para o adulto se organizar, não para a criança cumprir. Quando o interesse acaba, a brincadeira acabou. Se ela inventar uma regra nova no meio do caminho, melhor ainda.

2 e 3 anos: o corpo em movimento

Nessa idade as brincadeiras são curtas, repetem muito e usam o corpo inteiro. Quase tudo que se faz com o adulto por perto funciona.

  • Cabana de lençol (10 a 20 minutos): um lençol sobre duas cadeiras e algumas almofadas dentro. Leve um livro ou uma lanterna.
  • Cadê o bichinho? (5 a 10 minutos): esconda uma pelúcia num lugar fácil, como atrás de uma almofada, e pergunte onde ela foi parar.
  • Estátua com música (5 a 10 minutos): toque uma música e, quando ela parar, todos congelam. Aceite que a criança nunca congele direito.
  • Caminho de papel (10 minutos): folhas grandes de jornal ou papel pardo no chão, presas com fita-crepe. A criança pula de uma para a outra.
  • Bolas de meia (10 minutos): meias enroladas viram bolas para jogar numa cesta ou numa caixa.

Cuidado: a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) explica que crianças de até 3 anos tendem a colocar pequenas peças na boca e que os brinquedos para essa idade não devem ser pequenos nem ter partes destacáveis. Em outro texto, a SBP sugere um teste simples: tudo que couber num pequeno recipiente (a matéria usava um tubo de filme fotográfico) deve ficar fora do alcance de crianças até os 4 anos. Por isso esta faixa não usa tampinhas, botões, feijão nem bolinhas pequenas.

4 e 5 anos: regras simples e histórias

Aos 4 e 5 anos a criança já aceita uma regra, desde que ela seja curta. Começam a aparecer brincadeiras com um objetivo, como achar algo ou derrubar algo.

  • Caça ao tesouro com pistas desenhadas (15 a 20 minutos): o adulto desenha cada pista (uma geladeira, um sapato, uma planta) e esconde a seguinte perto do objeto desenhado. O tesouro pode ser um livro.
  • Boliche de garrafas (10 a 15 minutos): garrafas plásticas vazias de refrigerante e uma bola de meia. Guarde as tampinhas longe.
  • Mímica de bichos (10 minutos): um faz o bicho sem falar e os outros adivinham.
  • Amarelinha de fita-crepe (15 minutos): quadrados colados no chão, numerados. Como marcador, vale um chinelo ou um paninho dobrado.
  • Jogo da memória feito por vocês (15 a 20 minutos): cartões de papel com desenhos repetidos em pares, feitos pela criança. Tesoura sem ponta e adulto por perto.

Cuidado: o teste do recipiente da SBP vale até os 4 anos, então mantenha as peças pequenas longe, principalmente se houver um irmão menor na casa. Cordões, fitas e correntes compridas também pedem atenção: a SBP cita o risco de estrangulamento quando a criança pequena enrola o objeto no pescoço e fala em cuidado com os de mais de 15 centímetros para crianças de até 4 anos.

6 e 7 anos: desafios e escrita

Agora a brincadeira pode ter vitória, derrota e tempo marcado. Algumas crianças adoram, outras ficam tensas. Observe e adapte.

  • Circuito de obstáculos (15 a 20 minutos): cadeiras para contornar, almofadas para pular e uma linha de fita para andar sem sair. Quem quiser pode medir o tempo no celular.
  • Jogo da velha no chão (10 minutos): grade de fita-crepe e peças de papel dobrado, um X e uma bola.
  • Corrida da colher (10 minutos): levar uma bola de meia numa colher de uma ponta à outra do corredor.
  • Stop (15 minutos): sorteia-se uma letra e cada um escreve, numa folha, um nome de bicho, de fruta e de objeto que comece com ela. Quem terminar primeiro diz "stop".
  • Teatro de sombras (15 a 20 minutos): uma lanterna, uma parede lisa e as mãos. Dá para recortar figuras em papel e segurar na frente da luz.

Cuidado: balão de festa fica de fora quando não há adulto por perto. A SBP recomenda evitar balões de látex e, se usados, supervisionar crianças menores de 6 anos, e lembra que os pedaços dos que estouram podem ser engolidos e causar asfixia. Este site vai um pouco além por cautela e pede adulto presente até os 8 anos. Se a brincadeira envolver corda, ela nunca deve ficar enrolada no pescoço de ninguém.

8 a 10 anos: projetos e equipes

Nessa faixa a criança quer fazer coisas que durem mais e que tenham resultado. Brincadeiras em time e projetos que se estendem por vários dias funcionam bem.

  • Trilha de tabuleiro (30 minutos ou mais, em mais de um dia): cartolina, lápis, um dado e peças de papel. A criança desenha casas, obstáculos e prêmios e escreve as regras.
  • Jornal da família (20 a 30 minutos): ela entrevista alguém da casa, escolhe uma manchete e escreve a notícia.
  • Origami simples (15 minutos): barco, chapéu ou cachorrinho, com uma folha quadrada.
  • O chão é lava (15 minutos): almofadas e livros viram pedras para atravessar a sala.
  • Mímica em times (15 a 20 minutos): papéis com títulos de filmes, bichos ou profissões, e cronômetro.

Cuidado: se houver irmão ou irmã menor em casa, guarde as peças pequenas antes de começar. Fique de olho também em quem está só olhando.

O que fica de fora

Algumas coisas não entram nas listas do site, em nenhuma idade:

  • Brincadeiras com saco plástico. A SBP alerta que fitas e sacos plásticos de embalagem oferecem risco de estrangulamento e de asfixia e recomenda descartá-los logo.
  • Balão sem adulto por perto, como explicado acima.
  • Peças pequenas para menores de 3 anos.
  • Corda ou fita no pescoço.

Para brinquedos comprados, a SBP lembra que o selo do Inmetro indica que o produto passou por testes de segurança e qualidade, e orienta conferir se a faixa etária do rótulo combina com a criança. As brincadeiras acima usam o que há em casa, então o selo não entra na conta.

Para quem ensina

A BNCC trata de brincadeiras e jogos na educação infantil (EI03CG02, sobre controle e adequação do uso do corpo em brincadeiras e jogos) e nos primeiros anos do ensino fundamental (EF12EF01, sobre experimentar, aproveitar e recriar brincadeiras da cultura popular, respeitando as diferenças de desempenho dos colegas). Os códigos servem de referência de planejamento. As brincadeiras acima não prometem resultado, só um bom jeito de brincar junto.

Perguntas frequentes

Quanto tempo uma criança consegue brincar de uma coisa só?

Varia muito de uma criança para outra e de um dia para o outro. Se o interesse acabou, mude a brincadeira ou encerre. Pedir mais cinco minutos de atenção costuma render menos do que parar na hora certa.

Dá para fazer essas brincadeiras em apartamento pequeno?

Dá. Cabana de lençol, cadê o bichinho, mímica, jogo da memória e trilha de tabuleiro cabem em qualquer sala. Circuito de obstáculos pode ser feito com almofadas no tapete.

Posso brincar com crianças de idades diferentes ao mesmo tempo?

Pode, com ajuste. O mais velho vira juiz, contador ou autor das regras, e o menor faz a parte que consegue. Peças pequenas precisam sair do alcance antes de começar.

Balão de festa pode?

Só com um adulto por perto. A SBP recomenda evitar balões de látex e supervisionar quando são usados, por causa do risco de engasgo e de asfixia com os pedaços que estouram. Neste site, a regra é adulto presente até os 8 anos.

Preciso comprar alguma coisa?

Não. Todas as brincadeiras usam lençol, papel, fita-crepe, meias, garrafas vazias, lápis e o que mais houver em casa.

Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, "Os perigos dos brinquedos" (2014): https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/os-perigos-dos-brinquedos
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, "Questão de segurança" (2008), sobre balões, peças pequenas, cordões e sacos plásticos: https://www.sbp.com.br/questao-de-seguranca/
  • Sociedade Brasileira de Pediatria, alerta de 18/12/2018 sobre a compra de brinquedos: https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/nid/sociedade-brasileira-de-pediatria-emite-alerta-com-cuidados-na-hora-de-comprar-brinquedos-para-criancas-e-adolescentes
  • Base Nacional Comum Curricular, MEC (versão final): http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_EI_EF_110518_versaofinal_site.pdf
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